
(Foto: UFC)
Junior dos Santos (13v-1d MMA, 7v-0d UFC) chegou o topo da categoria dos pesos pesados do UFC com sete vitórias, das quais somente duas não terminaram em nocaute ou por interrupção do árbitro.
Em sua lista de oponentes figuram nomes importantes como Fabrício Werdum, primeiro lutador a finalizar Fedor Emelianenko, Mirko “Cro Cop” Filipovic, vencedor do grand prix peso aberto do PrideFC e Shane Carwin, ex-desafiante ao cinturão da divisão.
Em entrevista exclusiva a este blog, o catarinense de 26 anos explicou os motivos que o levaram a romper com o empresário Ed Soares, da ToughMediaInc, falou sobre o maior desafio de sua carreira contra o campeão Cain Velasquez, treinos com Dórea e o retorno de Rodrigo Minotauro, atleta que o revelou para o mundo da luta.
Confira o papo com “Cigano”
Mano a Mano: Por que você rompeu com o Ed Soares e a ToughMediaInc? Essa decisão pode de alguma maneira afetar o relacionamento com os demais atletas e consequentemente na preparação para os próximos combates?
Junior dos Santos: A razão deles não serem mais os meus empresários foi uma coisa relacionada ao fato de eu estar procurado evoluir, procurando ter mais atenção, entendeu? Eles sempre foram ótimos comigo, são meus amigos ainda, são pessoas que eu sempre vou ouvir, entendeu. Gosto muito do Joinha [Jorge Guimarães], do Ed também, mas tem uma hora em que você não está satisfeito com algumas coisas e eu achei melhor também continuar com alguém que me desse um pouco mais de foco, só isso. E quanto ao relacionamento com os outros lutadores, continua o mesmo. A gente é Team Nogueira e a Black House é uma academia para suprir o que a ToughMedia tem de lutadores, então eu não faço mais parte da Black House mas sim do Team Nogueira, onde Minotauro, Minotouro, o Anderson, todo mundo é, entendeu? Então não mudou nada quanto a isso.
Gerenciando a sua própria carreira, quais oportunidades você acha que terá de agora em diante e que não teve anteriormente?
Eu nem digo oportunidade assim, acho que são pessoas que vão trabalhar com o meu nome e que irão vendê-lo como na verdade não estava sendo vendido, entendeu? Acho que as oportunidades chegam com certeza, principalmente agora que vou disputar o cinturão. Antes o Ed e o Joinha que corriam atrás das coisas relacionadas aos bônus dentro e até fora do UFC, mas agora terei um foco maior em mim e eles vão me atender melhor do eu estava sendo atendido, acredito.
Você optou por morar em Salvador, Bahia. Você já é reconhecido pelo público baiano nas ruas? Como é o assédio aí na terra do Axé?
Ah, sou sim. As pessoas já estão acostumadas comigo e realmente o assédio do público local é grande. Eu gosto muito de morar em Salvador, vou continuar morando aqui porque é uma cidade muito boa, e inclusive a academia do meu professor e técnico [Luis Carlos] Dórea fica aqui, então gosto de morar em Salvador.
Além do Dórea como treinador, quem são os seus parceiros de treino aí? Quem faz luva contigo, trabalha o seu chão?
Aqui eu tenho o meu treinador de jiu-jitsu, o Yuri Carlton, o Ednaldo Lula, o Paulão, e tem todo o time do Rio de Janeiro que também vem pra cá além de lutadores de outras equipes. O Demian Maia vem muito treinar aqui com a gente, do pessoal vem Minotauro e o Minotouro, que estão direto por aqui e sempre vêm para treinar.
Vamos falar um pouquinho do Dórea. Qual é a importância do Dórea na sua preparação e como é o relacionamento de vocês nesse tempo em que trabalham aí na Bahia?
O Dórea para mim é como se fosse um segundo pai, é um cara que cuida de mim, que me aconselha, que me prepara e além de ser meu treinador cuida de grande parte da minha carreira também e ele é como se fosse um segundo pai para mim. Eu o amo muito e gosto de tê-lo ao meu lado.

(Foto: Tatame - Cigano e treinador Dórea)
Ele te ajuda somente no boxe ou nas demais áreas da preparação?
Ele opina em todos os outros aspectos e ele traz pessoas para ajudar nos treinamentos, gerencia os treinos, mas o principal mesmo é o boxe.
Bom, você vai enfrentar o campeão Cain Velasquez. Qual a sua análise a respeito do jogo do mexicano, onde é que ele realmente é bom e pode complicar na luta?
A principal característica do Velasquez é o condicionamento físico. Com certeza ele tem o melhor preparo entre os pesos pesados. O wrestling dele é muito bom, ele tem se apresentado muito bem na trocação e o jiu-jitsu a gente não conhece muito, mas pelo que andei sabendo, é muito bom.
Ele é um cara que se dedica bastante aos treinos, e então eu considero que vai ser o meu maior desafio. Concordo que ele seja o número um do mundo hoje dos pesos pesados, mas eu confio muito em mim, meu time confia muito em mim e acho que tenho plenas condições de enfrentar qualquer um no mundo da luta. Vou fazer a preparação certa e com dedicação tenho certeza que posso fazer frente a qualquer um e vou estar preparado para o Velasquez, com certeza.
Você acha que leva vantagem por ele estar retornando de lesão e por você estar com um melhor ritmo de luta?
Espero que sim [risos]. Não sei se vai ser assim. Fiquei dez meses sem lutar mas a gente que trabalha sério continua treinando na academia. Quero enfrentar o melhor do Velasquez, espero que ele esteja bem para que a gente possa fazer uma boa luta para todos os fãs e eu tenho certeza que será um combate excelente mas pode ser que ele sinta um pouco esse tempo parado por causa da cirurgia. Pode ser mas isso não afeta meu treino de forma alguma.
O Frank Mir andou dizendo que bate mais forte que você. Ele é um adversário que te agrada, você gostaria por exemplo de vingar a derrota do Rodrigo?
Quem, o Frank Mir?
É, ele falou que bate mais pesado que você. Gostaria de enfrentá-lo para vingar aquela derrota do Minotauro?
[risos] Primeiro quanto a ele falar que bate mais forte do que eu [risos]… quando um lutador começa a perder ou a não ter um resultado satisfatório, como é que ele faz para poder se promover? É falando, é o que ele está fazendo. O Frank Mir é um cara que gosta de falar muito, fala muita besteira, e eu não acredito que ele bata mais forte do que eu. Com certeza ele deve bater pesado, é um peso pesado, é um cara que já foi campeão e não é de se menosprezar mas também é muito falador.
E quanto a lutar com ele para vingar o Minotauro, isso não existe. Eu acho que eu lutaria se um dia ele se qualificar a lutar comigo porque graças a Deus acho que estou um pouco a frente dele, mas se um dia ele se qualificar eu lutaria com muito prazer e daria com certeza cem por cento de mim para vencer essa luta e ele iria ver quem iria bater mais forte, né? Mas quanto a vingar o Minotauro, não, Minotauro é Minotauro, é um grande campeão, uma lenda do esporte e ele mesmo pode fazer isso. Tenho certeza que nessa luta agora ele vai provar que tem condições novamente de derrotar o Frank Mir ou o próprio Velasquez.
Também não acho que ele bata mais forte do que você. Falando sobre a organização, o UFC é contra esse código existente entre os atletas da mesma equipe não se enfrentarem. Você já declarou que não enfrentaria o Minotauro por nada, aí pergunto: abriria mão do cinturão se tivesse que lutar com ele por imposição do UFC?
É…[breve pausa] com certeza eu não lutaria com o Minotauro e não é uma questão de treinar junto, é diferente disso. Ele é como se fosse o meu irmão mais velho, tudo o que consegui conquistar devo a ele, sem ele, provavelmente eu não existiria, então é como um irmão mais velho para mim além do grande amigo que é. Então é uma coisa bem diferente de treinar junto e com certeza, sendo o campeão, e ele se qualificando para estar disputando o cinturão, com certeza não lutaria com ele e poderia sim abrir mão do título ou até mesmo achar uma solução. Nós conversamos muito, nos damos muito bem e iríamos acertar uma solução. Com vontade dele de lutar pelo cinturão mais uma vez eu certamente abandonaria o cinturão e aguardaria outra chance.

(Foto: Divulgação)
Muitos veem o seu chão como uma incógnita. Qual o seu ponto forte no jiu-jitsu? Você é um lutador que joga para finalizar ou é mais defensivo?
Sou faixa marrom de jiu-jitsu e não sou com certeza um top, não posso me comparar com o Minotauro, Demian Maia, é lógico, mas confio muito no meu jogo e treino muito jiu-jitsu e estou evoluindo bastante também. Gosto de treinar jiu-jitsu, gosto de treinar wrestling, eu amo ser lutador e acho que não existe outra coisa no mundo que me fizesse mais feliz do que ser o que sou, lutador. E assim, gosto de lutar e estou evoluindo muito e com certeza posso surpreender. O ponto forte do MMA é você jogar atacando por cima mas o MMA é bem diferente do jiu-jitsu tradicional, do submission. Fazer jiu-jitsu tomando porrada na cabeça é outra coisa. Assim que o meu adversário me botar pra baixo e me manter lá vocês vão poder ver o meu chão.
E essa evolução no wrestling em que você inclusive aplicou duas quedas incríveis no Shane Carwin. O que proporcionou essa evolução no seu wrestling?
O wrestling está sendo para mim mais ou menos como foi o boxe, estou gostando muito de treinar. A partir do primeiro momento com o Mark Munoz [peso médio do UFC] eu comecei a me apaixonar e estou aprendendo rápido principalmente a defesa de quedas, pois a minha intenção é manter a luta em pé pois eu gosto e confio muito em lutar em pé. Em tudo o que eu faço tento me dedicar 100%, e como te falei, gosto de ser lutador e me dedico para isso. Estou só colhendo os frutos da minha dedicação e do trabalho de todo dia.
Junior, o Minotauro discordou quando você disse que ele deveria aguardar um pouco mais para retornar ao octógono. Houve alguma conversa posterior àquelas declarações?
Não, não. Eu realmente disse porque ele estava voltando de três cirurgias, né, aí eu falei que talvez teria sido melhor esperar um pouco mais. Mas uns dias atrás, logo depois da minha luta, teve a coletiva de imprensa do UFC e tive a oportunidade de fazer um treino lá com o Minotauro. Não treinei junto com ele mas ajudei a puxar o treino lá e ele fez cinco rounds e foi muito bom, aquilo me impressionou muito, então esse é o momento dele estar lutando novamente. Ele está muito bem e está querendo lutar, isso é o mais importante, você querer retornar e retornar bem. Tenho certeza absoluta que ele vai surpreender o mundo nessa luta.
Muita gente aponta o Brendan Schaub como favorito por causa das cirurgias que o Rodrigo passou no quadril. Você concorda com o favoritismo do americano?
Não, acho que o americano não tem uma habilidade de boxe tão boa, ele bate pesado mas não tem tanta habilidade em boxear e o chão dele é zero comparado ao do Minotauro, é lógico. Então na minha opinião, para te ser sincero, estou colocando 60% a 40% para o Minotauro porque a única saída do Schaub vão ser os murros dele, as mãos que são bem pesadas, mas o Minotauro já está acostumado a esse tipo de lutador até porque eu treino com ele e vários outros como o Anderson Silva que são bons em cima, entendeu, então ele está acostumado e estou certo de que na luta no chão dá Minotauro rápido.
Junior, muito obrigado pela entrevista. Gostaria de deixar uma mensagem final aos leitores do blog Mano a Mano, no Terra Magazine?
Ah claro, quero primeiramente agradecer ao pessoal que está me acompanhando e torcendo por mim e a todos os fãs de MMA, os que torcem e os que não torcem por mim [risos]. E agradecer por tornarem o esporte mais forte e pedir que continuem acompanhando porque com certeza estou treinando muito para trazer esse cinturão aqui para o Brasil e espero que aconteça no final do ano.
Agradecimento especial: Ana Claudia Guedes e Vilsana, esposa do Cigano.
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