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Terra Magazine

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Banha nega ser um TOP e aponta a mira para Rich Franklin

Tags:, , - Guga Noblat às 05:54:26
Banha atinge Cantwell no UFC 97

Banha atinge Cantwell no UFC 97

Banha, cujo nome de batismo é Luiz Cané, passou pelos cursos de turismo e educação física antes de meter-se no restaurante de comida mineira de seus pais. Mas ele estava insatisfeito.

Nascido e criado no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo, e especialista em Muay Thai (arte marcial tailandesa versada em socos e chutes), Banha não tinha um plano traçado para o seu futuro. Andava sem rumo.

Sua vida deu uma virada em novembro de 2005. Naquele ano, ele encarou pela primeira vez uma luta de MMA (Vale Tudo).

Quatro anos após sua estréia em São Paulo, Banha só tem uma meta na sua carreira neste momento. Sagrar-se campeão da categoria dos meio-pesados (93KG) do UFC:

“Desde quando eu entrei no evento (UFC) eu sonho com o cinturão. Entrei com esse objetivo traçado”, revelou Banha em entrevista exclusiva ao blog Mano a Mano.

Para chegar a tão sonhada disputa de título, Banha deseja encarar em breve o ex-campeão dos médios (84kg) Rich Franklin. “Quero fazer uma luta que me faça subir (de posição) na carreira (…).O Rich Franklin venceu o Wanderlei Silva recentemente e  seria uma grande luta pra mim”, - disse o brasileiro.

Banha está com 28 anos. Lutou 10 vezes e perdeu apenas para James Irvin ao ser desclassificado do combate por conta de uma joelhada ilegal. Para o brasileiro, o golpe não pegou em cheio e Irvin fugiu do duelo: “Na consciência dele, ele sabe que escolheu o caminho mais fácil para sair de lá com a vitória”, reclamou Banha. 

A categoria disputada pelo faixa-preta em Muay Thai no UFC é a dos meios- pesados (93kg), a mais concorrida no mundo. Nas mãos hoje de Lyoto Machida, carateca radicado em Belém e natural de Salvador. Numa conversa com Lyoto um mês atrás ouvi dele que Banha já é um dos cinco melhores de seu peso. Opinião compartilhada por alguns especialistas, mas negada pelo próprio Banha.

“Falta um pouquinho de tempo (para eu ser um TOP 5). Tenho que ter paciência e continuar treinando e ganhando”, comentou sem hesitar.

Na entrevista a este blog de Terra Magazine, Banha relembra de sua árdua batalha em sua última luta contra o americano Steve Cantwell. Fala de seus planos para enfrentar Rich. Conta como se emocionou ao nocautear o outrora temido camaronês Rameau Thierry Sokoudjou. E dá sua versão sobre o motivo de não ter enfrentado Rogério Minotouro Nogueira em 2007, além de outros momentos marcantes de sua carreira.

Confira a entrevista:
 
O UFC ta planejando a sua próxima luta?
Ainda não, meu empresário está trabalhando nisso. Espero que até o fim da próxima semana eu já saiba. Eu gostaria de fazer mais duas lutas ainda este ano, mas está cada vez mais difícil que isso aconteça. Mas deve ser uma luta grande.

Tem alguém em especial que você deseja lutar?
To treinando, sou um funcionário do UFC, to ai pra lutar com quem o evento quiser me colocar na frente. Mas quero fazer uma luta que me faça subir (de posição) na carreira. Queria enfrentar um grande nome, alguém que possa me colocar mais perto do cinturão. O Rich Franklin seria uma grande luta pra mim. Ele é top 10 do peso, vem de vitória diante do Wanderlei Silva e seria um grande teste. Gostaria de me testar com ele.

Seu último combate contra Steve Cantwell foi uma verdadeira batalha. Diga o que você achou de sua atuação nessa luta?
Eu gostei, achei uma boa luta. O Steve é um moleque duro e bem técnico. Foi a luta mais dura que já tive. Foi a primeira luta da minha vida que passei do segundo round. Pela primeira vez vi o que é lutar os três rounds. Foi uma excelente experiência na minha carreira.

Rameau Thierry Sokoudjou foi uma presa mais fácil do que você imaginava?
Eu não achei que ia ser fácil. Ele tem uma trocação (de socos e chutes) fantástica, é bom em pé e nas quedas. Eu sabia que ele ia partir pra cima com tudo desde o início da luta. Eu tinha que bater com muita força para minar o gás dele e tirar a sua explosão. Esse era o meu jogo. Fiz isso e no começo do segundo round consegui aquele nocaute incrível. Foi difícil, mas eu tava muito confiante que sairia de lá com um nocaute.

Você pensa em lutar mais uma vez contra James Irvin, já que você acabou desclassificado quando o enfrentou?
Não, não mesmo. Seria muito bom um dia ter a chance de ver como seria uma luta contra ele se eu não fosse desclassificado, mas não tenho no momento interesse algum nessa luta.

O Irvin acabou mesmo contundido por um golpe ilegal desferido por você ou inventou desculpa para fugir da luta?
Bom, eu acho que quem viu a luta sabe o que aconteceu. Ele sabe o que aconteceu, nem tem muito que falar.  Mas ele sabe o que realmente aconteceu, na consciência dele, ele sabe que escolheu o caminho mais fácil para sair de lá com a vitória.

No início de sua carreira te ofereceram uma luta contra o Rogério Minotouro. Por que recusou?
Na verdade eu tinha dois contratos que me foram oferecidos na mesma época. Me ofereceram um contrato de uma luta  no Canadá contra o Minotouro e um contrato de quatro lutas no UFC, maior evento do mundo. Entre pegar um contrato de uma luta e um de quatro num evento maior, preferi ficar com o evento maior.

Você teria lutado se não fosse por isso?
Lutaria com o Minotouro numa boa. A gente conversa e se dá bem, mas lutaria sim. Seria um bom teste na minha carreira. Mas eu tava apenas começando naquela época. Se não me engano ia ser minha segunda luta internacional. Seria muito difícil enfrentar o Minotouro, mas eu aceitaria lutar com ele.

Mas o seu ex-empresário Marcelo Tetel já comentou que não queria que você lutasse contra o Minotouro naquela época porque você ainda era inexperiente.
Era a opinião dele. Ela achava que não era uma luta boa, eu tinha sete lutas, e na mesma época rolou o contrato com o UFC. O outro contrato era de apenas uma luta. Mas eu teria lutado se não fosse isso.

Você já se considera um top cinco da categoria?
Não. Falta um pouquinho de tempo. Tenho que ter paciência e continuar treinando e ganhando. Se eu fizer isso, uma hora eu vou poder estar entre os cinco.

Já sonha com o cinturão?
Desde quando eu entrei no evento eu sonho com o cinturão. Entrei com esse objetivo traçado. Na minha primeira luta já tinha isso em mente e sempre tive esse pensamento. Entrei com o sonho de ganhar o cinturão e esse é o meu objetivo no UFC.

Quais são as suas principais qualidades como lutador?
Acho que sou um cara que gosta de ir pra trocação, não me intimido com nome e parto pra cima. Mas prefiro deixar para os fãs esse trabalho de apontar minhas qualidades (risos). 

Qual foi sua vitória mais comemorada?
Acho que com o Sokoudjou, por tudo o que passei na fase de treinamento. Eu tive que treinar machucado. Meu cotovelo estava muito machucado. Fiquei quase dois meses sem conseguir treinar chão direito. Tava bem difícil de fazer os treinos. Ai, passar por uma guerra daquelas (durante a luta) e ainda sair com o nocaute foi legal demais, essa foi a mais emocionante. E uma semana antes dessa luta minha avó faleceu. Tive que ir para Minas Gerais para o enterro dela e depois voltar correndo para continuar o treinamento. Quando eu venci a luta, já lembrei logo dela. Foi emocionante.

Se você não fosse atleta, o que seria?
Pergunta difícil essa. Eu comecei a fazer turismo, mas não me achei. Depois fiz educação física e comecei a lutar. Cheguei a trabalhar no restaurante de comida mineira dos meus pais, mas não gostei muito. Não sei o que eu estaria fazendo. Não me vejo fazendo outra coisa a não ser lutar.

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