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Terra Magazine

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Feras do MMA avaliam ida de Fedor para o StrikeForce

Tags:, , , - Guga Noblat às 16:08:42

A notícia mais quente no MMA (Vale Tudo) esta semana foi a propósito da contratação do russo Emilianenko Fedor (30v e 1d), atleta mais temido do planeta, pelo evento StrikeForce, maior rival do UFC.

• (Relembre em: “Fedor assina com StrikeForce, maior rival do UFC”)

O acordo entre o peso-pesado Fedor e o StrikeForce baqueou os fãs e dirigentes do UFC, que esperavam ansiosos à sua contratação. Frustrado, Dana White, poderoso-chefão do UFC, chegou a chamar o russo de “uma piada” e o acusou de fugir dos grandes desafios que lhe aguardavam em seu evento.

O que mais pesou na escolha de Fedor foi achar uma organização de MMA que topasse uma parceria (co-promoção) com a empresa russa M1 Global nos eventos em que ele lutar.

O UFC ofereceu rios de dinheiro e tudo mais que o russo queria, mas não aceitou a co-promoção. O StrikeForce não se fez de rogado e disse sim à parceria.

O blog Mano a Mano consultou cinco atletas brasileiros de MMA e ouviu o que eles pensam sobre a ida de Fedor para o segundo maior evento de lutas dos EUA. Segue abaixo:

Paulo Filho:
Para a carreira do Fedor seria melhor estar no UFC, que é um evento que está na mídia, um evento mais forte, entre aspas. Mas se ele tá ganhando melhor, se ele conseguiu arrumar uma coisa melhor para ele no StrikeForce, acho que ele deve ir para o StrikeForce. Eu gostaria que existissem muitos e muitos eventos pagando bem como o UFC, para abrir mais espaço para os novos talentos surgirem.

Ricardo Arona:
Acho que é muito importante para o crescimento do nosso esporte existir grandes organizações de MMA. E acho que para o Strike crescer precisa justamente contratar os melhores lutadores do mundo. O Fedor é um cara que eu, particularmente, conheço bem, sei que a contratação dele só vai somar para o Strike, que é um grande evento, e para o MMA. 

Pedro Rizzo:
Quanto mais evento melhor. Infelizmente o Affliction acabou. O mercado japonês ainda está se recuperando da crise deles lá, o StrikeForce tá ai, tá na tv americana, tá com o Fedor, que é o melhor peso-pesado do mundo. Então, agora o StrikeForce vai poder competir com o UFC, está com um grande nome, então vai ser legal.

Rogério Minotouro:
Os caras estão com a showtime, que faz os melhores eventos de boxe. A concorrência é muito boa até mesmo para o próprio UFC. Será mais espaço para o MMA, mais espaço para o nosso esporte aparecer na mídia, então até para o UFC isso é interessante já que estimula mais gente a se interessar pelas lutas.

Antoine Jaoude:
Acho ótimo para o StrikeForce porque o Affliction sacaneou com ele. Eles (Fedor e sua equipe) chegaram no aeroporto da Califórnia para cancelarem o evento com ele. Então, ele não perdeu a viajem e arrumou contrato com o StrikeForce, o que é ótimo para os lutadores. Diferencia um pouco do UFC, abre novos leques.

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domingo, 5 de julho de 2009

Brasileiros brilham na Coréia, mas Brasil é eliminado

A imagem da mão erguida em sinal de vitória se contrastava com a desilusão de entrar no ringue sabendo que estava desclassificado do torneio mesmo se vencesse.

Curioso ver sete brasileiros lutarem na mesma noite, cinco saírem vitoriosos, apenas dois derrotados e ainda assim o resultado final ser a eliminação do Brasil da Copa do Mundo de MMA (Vale Tudo) promovida pela M1 Global.

Foi isso que se passou na manhã do último sábado. O Brasil bateu os coreanos na casa deles por 3×2. Outros dois atletas nacionais, Fábio Negão e Givanildo Santana, lutaram e venceram pelo time americano.

O Brasil dependia da derrota dos Estados Unidos diante da Rússia  para continuar vivo na competição. Entretanto, com ajuda de Negão e Giva, os americanos venceram seus cinco combates e avançaram no torneio.

Nas rodadas anteriores, Brasil perdeu para os EUA por 3×2. Depois venceu os russos por 5×0. Coréia bateu a Rússia por 3×2. E foi derrotada pelos americanos por 5×0. Apenas o melhor entre esses quatro países segue na briga pelo título.

Mês passado, numa conversa com o técnico da seleção Carlão Barreto, perguntei qual era o critério adotado para permitir brasileiros no time dos Estados Unidos. Ele não soube responder, mas brincou que daqui a pouco “vão até dar um green card (visto permanente de moradia) aos brazucas” só para reforçar o time de MMA..

Quando os brasileiros subiram no ringue, no último dia 4, os americanos já tinham feito a parte deles e a eliminação era fava contada.

O primeiro a lutar pelo Brasil foi Hacran Dias, peso-leve (70kg) natural do Rio de Janeiro. Encarou Nam Yui Chul. As regras do M1 prevêem uma luta de dois rounds e um terceiro round em caso de empate. Foi isso que aconteceu. Após se esgotarem todos os limites de tempo, o coreano saiu vitorioso. Hacran deixou o ringue visivelmente contrariado com a decisão dos juízes. 

O paulista Eduardo Pamplona lutou em seguida contra Do Hyung Kim, na categoria até 76kg (meio-médio). O combate terminou dois minutos e 17 segundos antes do fim do tempo programado por conta de uma ferida na sobrancelha do coreano. O corte foi provocado por uma cabeçada (golpe ilegal) acidental de Pamplona. Os juízes entenderam que o paulista estava melhor até o momento do incidente e lhe deram a vitória.

Daniel Acácio e Jae Young Kim, atletas dos médios (84kg), travaram um duelo com poucos momentos de empolgação. A luta foi controlada nas quedas e no solo pelo brasileiro do interior de São Paulo e atleta mais experiente da seleção. Acácio, que não lutou nas outras rodadas, venceu na decisão dos juízes.

O atleta mais inexperiente do Brasil impressionou com o melhor desempenho do dia. Com três vitórias no cartel, o carioca Alexandre Bebezão (93kg) deu uma lição de Jiu-Jítsu em Dool Hee Lee e o  venceu por estrangulamento (mata-leão). Bebezão é sparring das feras Anderson Silva e Paulo Filho. Seus olhos ficaram marejados pela emoção da vitória no fim do combate.

O último a se apresentar foi o peso-pesado Joaquim Ferreira, vulgo Mamute. Assim que soou o gongo o brasileiro avançou feito um pitbull para cima de Hae Joon Yang. Só que levou a pior. Numa trocação frenética de socos, um golpe do coreano entrou bem no queixo de Mamute. Ele acabou de cara na lona em apenas 14 segundos. Foi o combate que mais empolgou a platéia.

Seguem os links dos vídeos dos sete combates envolvendo brasileiros no torneio. E uma sequencia com quatro fotos de parte dos brazucas.

Links de vídeos das lutas

* Hacran Dias vs Nam Yui Chul
http://www.megavideo.com/?d=DYG6QS4Z

* Eduardo Pamplona vs Do Hyung
http://www.megavideo.com/?d=7R314SMD

* Daniel Acacio vs Jae Young Kim
http://www.megavideo.com/?d=OBJVL6YA

* Alexander Machado vs Dool Hee Lee
http://www.megavideo.com/?d=NAYVGGCF

* Joaquim “Mamute” Ferreira vs Hae Joon Yang
http://www.megavideo.com/?d=FG4Q1D11

* Giva Santana vs Radmir Gabdulin
http://www.megavideo.com/?d=859XWCRJ

* Fabio “Negao” Nascimento  vs Marat Ilaev
http://www.megavideo.com/?d=BTPDEYMI

FOTOS: M1 Global

Hacran Dias vs Nam Yui Chul

Hacran Dias vs Nam Yui ChulHacran Dias

Daniel Acacio vs Jae Young Kim

Daniel Acacio vs Jae Young Kim

Daniel Acacio vs Jae Young Kim
Daniel Acacio vs Jae Young Kim
Fabio Negão vs Marat Ilaev

Fabio Negão vs Marat Ilaev

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Daniel Acácio busca espaço perdido no MMA

Tags:, , , , - Guga Noblat às 06:08:23
Divulgação

Foto: Divulgação

Não se deixe enganar por Daniel Acácio. Sua voz mansa e cara de bom moço nada têm a ver com a sua postura dentro dos ringues.

Em suas lutas de MMA (Mixed Martial Arts, também chamado de Vale Tudo) ele incorpora seu lado mais frio e implacável na busca incessante pela vitória.

Entretanto, seu melhor momento parece ter ficado para trás.

Ex-atleta do Pride (evento japonês) a da prestigiada academia Chute Boxe, hoje Acácio corre atrás de reerguer seu nome para voltar a figurar entre os principais atletas do MMA mundial.

Perdeu duas de suas últimas quatro lutas. Vem de derrota em combate travado dois meses atrás, na Polônia. Bateu até hoje 17 adversários, dez deles entre os anos 2000 e 2005, período em que permaneceu invicto e despontou entre os tops do MMA nacional. Depois disso perdeu sete de suas últimas 14 lutas.

Mais uma chance foi dada a Acácio para voltar a provar o seu valor. Ele tomou o lugar de Leandro Batata na Copa do Mundo de MMA promovida pela M1 Global (organização russa). Foi escalado para a seleção brasileira pelo técnico Carlão Barreto.

Batata vinha de vitória na última etapa da Copa do Mundo, mas isso não assegurou sua vaga para a próxima rodada. A este blog Mano a Mano, de Terra Magazine, Carlão explicou assim a troca de Batata por Acácio:

“O Batata é um bom lutador, cumpriu sua função com qualidade na etapa Brasil do M-1, eu gostei dele, um bom garoto  tem um futuro pela frente, desejo muita sorte na vida profissional dele. Mas estamos analisando não só a capacidade técnica e física dos atletas, pensamos no lutador em uma visão global, um cara tem que entender que ele representa o país. Então em consenso, achamos que o Daniel pela sua experiência internacional e sua história de vida, pode nos ser mais valioso nesse momento. O mais importante é o valor agregado a equipe, temos que ter um time em que todos falem a mesma língua”.

No dia 4 de julho, na Coréia do Sul, o time de cinco atletas de pesos diferentes que representa o Brasil terá de bater os donos da casa para ter chances de avançar na competição. O evento passará ao vivo pela internet no site do M1.

EUA e Rússia são do mesmo grupo do Brasil e também se enfrentarão no dia 4. Se os americanos vencerem eles passarão de fase independente do resultado dos brasileiros, pois, por ora, estão com mais vitórias no torneio. Apenas um time por grupo avança na competição.

Num bate papo com o blog Mano a Mano, Acácio, 31, faixa-preta em Luta Livre, contou como surgiu o convite para participar da seleção brasileira. Principal nome da equipe comandada pelo especialista em jiu-jitsu Cristiano Marcelo, a CM System, Acácio também falou sobre sua saída da Chute Boxe, período em que viveu suas maiores derrotas:

“Tava faltando luta pra mim lá. (…)  Eu que quis lutar igual a eles (estilo muay thai), mas não me adaptei bem. Mas agora já to me concentrando nos meus erros e voltei a ganhar.”

Sujeito tranquilo nascido em Botucatu, interior de São Paulo, Acácio relembrou alguns momentos frustrantes de sua carreira e aproveitou para dar sua versão sobre o conflito entre seus ex-parceiros de equipe Wanderlei Silva e Anderson Silva:

“O Anderson quis falar que batia na cara do Wanderlei. Problema dele. Nunca ouvi falar disso. Mas tem recalque ai. Com certeza tem alguma mágoa que vem do passado. Nunca vi o Wanderlei falar mal dele. Muito pelo contrário, Wanderlei sempre o elogiou!”

Segue o que disse Acácio:

Você já teve contrato com o Pride e agora tenta conquistar espaço no M1, um evento grande, mas de menor porte. Você acha que perdeu espaço no MMA?
Não, acho que tive só uma derrota este ano e uma no ano passado. To vindo de vitória e derrota. Cheguei a emplacar uma sequência de vitórias em 2008. Na época que eu perdi eu tava sem equipe. Agora to com o Cristiano Marcelo e to muito bem assessorado. Antes treinava só com meus alunos e não tinha treino pesado pra mim. Agora eu tenho. 

Você se imagina lutando no UFC?
Imagino, sim. Meu sonho e o sonho de todos os atletas é o de lutar nos maiores eventos contra os maiores lutadores. O desafio é o que motiva a gente. 

Como surgiu o convite para integrar a seleção brasileira de MMA?
O convite foi feito pelo Carlão Barreto. Ele já vinha estudando o convite. Como eu vinha lutando bem no exterior, ele me chamou para fazer parte da seleção. Fiquei muito feliz. Vou entrar no lugar do Batata (Leandro Silva). 

O que é mais difícil, vencer os coreanos na Coréia ou os americanos perderem para os russos?
Acho que vai ser mais difícil os coreanos ganharem. A gente é brasileiro e nunca desiste. Estamos na torcida para que os americanos percam e de cinco a zero. Vai dar cinco a zero na cabeça pra gente e contra os americanos (risos). 

O que você achou da escalação da seleção brasileira de MMA?
Ta muito boa. Essa mesma seleção já ta ganhando todos os eventos. Agradeço bastante por fazer parte desse time. O único que entrou nessa etapa fui eu mesmo. As coisas tão sendo muito bem feitas. O Carlão tem uma visão muita boa do que é bom para o futuro dos lutadores. Vai dar tudo certo!
 
Tem algum atleta em especial que não faz parte da seleção e que você acha que merecia ser convocado?
Não. Acho que o time ta completo. Todos que estão ali são merecedores. 

Seu tempo na Chute Boxe foi marcado por inúmeras derrotas. Você acha que o time teve alguma parcela de culpa nisso?
Não. Equipe nenhuma tem parcela de culpa pelas derrotas de um atleta. A gente tenta se moldar conforme a equipe. Eu tentei me encaixar no jogo deles. Em momento algum foi dito para eu sair na mão em vez de usar as quedas da Luta Livre e o ground and pound (bater por cima do rival). Fui eu que quis lutar igual a eles, mas não me adaptei bem. Mas agora já to me concentrando nos meus erros e voltei a ganhar. Voltei a usar o ground and pound para definir a luta lá embaixo. 

Tem alguma derrota em especial que você deseja vingar?
Têm várias. A princípio gostaria de fazer uma nova luta conta o Sapo (Luis Santos). Lutei com ele em Roraima e no dia da luta tive que perder muito peso porque teria que ser na categoria até 77kg. Mesmo assim bati o peso. Eu venci a luta, mas na decisão dos juízes deram três a zero pra ele. Até hoje a fita (o vídeo) da luta não foi liberada para não deixar o público ver como fui roubado. 

Dizem que a rixa entre Wanderlei Silva e Anderson Silva é antiga e que viria desde os tempos da Chute Boxe. O que você sabe sobre isso?
Na época que eu entrei na Chute Boxe foi a mesma época que o Anderson tava saindo. Mas tive muito contato com o Wanderlei e ele nunca disse nada disso. Quem tem boca fala o que quer. O Anderson quis falar que batia na cara do Wanderlei. Problema dele. Nunca ouvi falar disso. Mas tem recalque ai. Com certeza tem alguma mágoa que vem do passado. Nunca vi o Wanderlei falar mal dele. Muito pelo contrário, Wanderlei sempre o elogiou! 

Por que você optou por deixar a Chute Boxe, tem algum ressentimento com a equipe?
Eu precisava ampliar meus horizontes, correr atrás de outros objetivos. Eu vi que era a hora de correr atrás das minhas coisas, das minhas lutas. Mas não sai com mágoa de ninguém, muito pelo contrário. Sai de lá bem com todos. 

Tava faltando luta quando você era da Chute Boxe?
Acho que tava, sim. Tava faltando luta, a galera da equipe não tava conseguindo novas lutas. Ai as contas lá de casa começaram a apertar. Tinha que pagar a escola dos meus filhos e não podia ficar esperando. A luta não vinha, mas a conta não parava de chegar. Era cobrança chegando direto!

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