Thales Leites mira em Sakara e diz que Anderson Silva encara até Fedor
Se tivesse vencido sua última luta, o rosto do carioca Thales Leite estaria hoje estampado na manchete da maioria dos tablóides e sites dedicados ao MMA/Vale Tudo.
Em abril último, ele teve a chance única de impedir que o curitibano Anderson Silva se tornasse o maior vencedor da história do UFC. Numa disputa válida pelo cinturão dos médios (84kg). Mas perdeu!
Pior, deixou a arena ao som de vaias e muito protesto de uma platéia entediada. Fato incomum na carreira quase impecável desse atleta carioca especialista em jiu-jitsu.
Tamanha é a desenvoltura de Thales para aplicar estrangulamentos e torções que nove de suas 14 vitórias vieram por finalização. Perdeu apenas duas vezes. Mas uma delas logo na disputa mais importante de sua vida.
Entretanto, Thales estará de volta ao octogon mais cedo do que imaginava. Ele foi escalado para enfrentar o italiano versado em boxe Aléssio Sakara na 101ª edição do UFC, programada para o dia 08 de agosto. Tomou o lugar do mineiro Rousimar Palhares, o Toquinho, substituído por conta de uma contusão.
Em entrevista exclusiva ao blog Mano a Mano, de Terra Magazine, Thales relembrou o momento mais frustrante de sua carreira, a derrota na briga pelo título dos médios. “Eu não fiquei satisfeito com meu estilo naquela luta. Como desafiante devia ter sido mais agressivo”.
O faixa-preta em jiu-jitsu vinha numa sequencia de cinco vitórias até ser parado em sua última luta. Mas, segundo, Thales, Anderson é um atleta capaz de bater qualquer lutador, até mesmo o peso-pesado russo Fedor Emilianenko, maior nome do MMA mundial para parte da mídia.
Com a cabeça focada em Sakara, Thales respondeu a 15 perguntas, numa demonstração de boa vontade poucas vezes vista, levando-se em conta que a ligação caiu pelo menos seis vezes durante a entrevista. Segue abaixo:
Depois de encarar o campeão Anderson Silva, o Sakara representa um grande desafio ou é só mais um degrau para sua volta ao topo?
Não, jamais. O Sakara é duro pra qualquer um. Já pegou vários caras duros. É um grande desafio pra mim, tanto que estou treinando para chegar lá 100%. Não quero repetir minha atuação da última luta. Quero lutar mais pra frente, me expondo mais. Ele é muito bom, tem tudo pra ser um lutão.
Você imagina essa luta terminando cedo?
Isso não tem como dizer. To treinando para uma luta de três rounds. Vou estar preparado pra tudo.
O Sakara tem um jogo que lembra o do Drew McFedries, seu penúltimo adversário derrotado por você facilmente. O Sakara é mais perigoso que o Fedries ou a luta deve se desenrolar de maneira parecida?
Os dois são muito perigosos em pé. Mas o Sakara tem um chão melhor do que o do Drew. O Drew é mais agressivo em cima, ele parte pra cima e tem uma trocação (de socos e chutes) mais agressiva que o dele. O Sakara usa um boxe mais clássico, se movimenta bem, espera a hora de bater, acho que tem a mão mais alinhada.
Se perder para o Sakara será a sua segunda derrota seguida e você irá para o fim da fila dos desafiantes ao cinturão. Você sente uma pressão a mais por estar vindo de derrota?
Não, eu não coloco muita pressão sobre meu ombro. Meu treinamento continua focado, to me preparando pra tudo. To me preparando pra vencer. Procuro não pensar na derrota.
Quantas lutas ainda restam no seu contrato com o UFC e qual a chance dele ser rescindido caso você volte a perder?
Mais quatro lutas. Não sei se eles podem ou vão querer rescindir. O UFC quer atletas que empolgam. Se o cara faz lutas que o público gosta ele continua lá.
Antes de encarar o Anderson Silva você chegou a dizer que ele não era “imbatível”. Depois de ter sido derrotado por ele você permanecesse com essa mesma opinião?
Claro, com certeza, ele não é imbatível. É um cara muito duro, um dos melhores do mundo, porém vai perder um dia, uma hora todo mundo perde, o Fedor Emilianenko vai perder um dia, o Lyoto Machida vai perder, o Georges ST. Pierre. É natural. Eles estão sempre estudando o jogo dos adversários e treinando pra melhorar, mas luta é luta e um dia vai chegar a hora deles.
Anderson é melhor ou pior do que você imaginava antes de enfrentá-lo?
Já sabia que ele era duro, Não mudei de opinião, sabia que ia ser pedreira. Sempre o achei um casca grossa, um dos melhores.
Pelo fato de o público ter vaiado a sua última luta e você ter saído derrotado, o combate contra o Anderson representou um retrocesso na sua carreira?
Cara, ai eu não sei se foi um retrocesso. Eu não fiquei satisfeito com meu estilo naquela luta. Como desafiante devia ter sido mais agressivo, tinha que ter partido pra cima. Fiquei descontente com isso. Mas luta é luta (pausa para pensar). Não acho que tenha sido um retrocesso, senão não estaria fazendo outra luta depois de tão pouco tempo.
O que você faria de diferente se enfrentasse o Anderson mais uma vez?
Cara, eu procuraria ser mais agressivo. Ia buscar mais a luta. Eu preferia ter buscado mais a luta, independente de acabar sendo nocauteado ou finalizado.
Quantas lutas você acha que precisa vencer para voltar a disputar o cinturão?
Agora eu nem to pensando mais em disputar o cinturão. Quero só retornar meu caminho de vitórias para uma hora merecer disputar o cinturão. Quero pensar em um adversário de cada vez. Quero retomar o caminho das vitórias de novo.
Quem são os três atletas que você encara como os mais perigosos na sua categoria de peso?
Com certeza o Anderson (pausa para pensar), cara deixa eu ver aqui, o Anderson, o Demian Maia e o Rich Franklin. Posso estar me esquecendo de alguém, mas colocaria esses três ai.
O Demian Maia tem jogo para bater o Anderson?
Acho que o Demian tem chance sim, ele evolui cada vez mais e luta é luta. O Anderson é muito duro e sabe jogar em todas as áreas. Se ele for lutar até mesmo contra o Fedor, ninguém poderá dizer que ele irá perder a luta. Ele tem mantido a hegemonia na nossa categoria e é muito perigoso. Mas ninguém pode dizer que Demian não o venceria. Se ele for lutar contra o Anderson, ele vai fazer uma preparação focada para isso e só a luta pra dizer quem vence.
Tem algum ídolo no MMA?
Não tenho ídolo, mas tem os caras que eu gosto. Gosto muito dos que lutam pra frente e gostam de dominar a luta no chão.
Qual foi o momento mais frustrante de sua carreira?
Na verdade foram dois momentos, as duas derrotas que sofri foram frustrantes. Para o Anderson e para o Martin Kampmann.
Os promotores de lutas no Brasil algum dia terão condição de bancar as despesas de um evento do porte do UFC?
Acho que o Brasil tem condição de pagar as bolsas e despesas de um evento grande. Depende muito das empresas que patrocinariam o evento. Se arrumar uma Petrobrás, uma Coca-Cola, daria para bancar. Começaria com eventos menores e depois subiria de nível. Poderia vender bastante pay per vieaw, que é o que faz os eventos serem grandes, e passaria a ser realizado mais vezes.






















































