
O brasiliense Danilo Índio Villefort tem em seu DNA a marca genética de um campeão. Seu pai, o Mestre Índio, travou emocionantes combates de MMA (Vale Tudo) nos idos dos anos 70.
Agora, é sua vez de trilhar o caminho das lutas rumo à redenção. Já que não seguiu a carreira de judoca, onde tudo começou para Danilo, o MMA serve como saída para criar um legado entre batalhas e vitórias.
Danilo estreará logo mais, às 21h deste sábado, no evento de lutas mais valioso do planeta, o UFC. Até hoje, ele derrotou nove oponentes e perdeu para dois.
Com a experiência de quem já lutou em grandes eventos, como o WEC, Danilo contou a este blog que nunca se sentiu tão bem para um combate.
Segundo Danilo, seu adversário, o americano Jesse Lennox, será “engolido no chão” e, em pé, sentirá seu “joelho afiado”.
Numa entrevista exclusiva ao blog Mano a Mano, 48 horas antes de pisar na arena do UFC, Danilo também revelou seus planos para daqui a dois anos.“Espero ser um top 5, essa é minha meta”, disse.
O atleta, que hoje reside na Flórida, onde é professor da American Top Team, aproveitou para lembrar momentos marcantes de sua carreira. Como, por exemplo, o tempo que treinou com o legendário Chuck Liddell, maior nome da história do MMA americano.
“A gelara endeusa demais os lutadores da TV”, disse Danilo. “Agora, dá para fazer e acontecer (encarar) contra esses caras (tipo o Chuck). Coisa nenhuma esse papo de que não dá (para ganhar)”, finalizou o atleta.
Segue a entrevista completa. Para mais detalhes sobre o UFC 101 leia a nota: “11 lutadores avaliam Anderson Silva vs Forrest Griffin.
Blog Mano a Mano - Qual o peso de estrear no maior evento do planeta?
DANILO - Vou te falar uma coisa, já estive no Pride (falecido evento japonês) várias vezes. Já estive no UFC algumas vezes. Já lutei pelo WEC. Então, não to sentido essa estréia, não. Só tô sentindo a dieta. O resto tá ok.
Seu peso natural é de 93kg, certo? Já baixou para quanto?
É, não peso mais do que 93kg. Mas para a luta no UFC vou ter que estar com 77kg. A dieta tá foda, mas tô chegando no peso. Já baixei para 81kg. Desde às 16h de hoje (quinta-feira) estou de jejum. E vou ficar sem comer até amanhã. Vou ser o primeiro na hora da pesagem, já que a minha luta será a primeira.
Na sua estréia é mais importante ganhar ou fazer uma grande luta, mesmo que o resultado seja a derrota?
Quero ganhar a luta e dane-se se vai ser bonito ou não. Pra mim, acho melhor ganhar do que dar show. Mas quero fazer um lutão, que fazer bonito.
O que você conhece sobre seu oponente?
O cara é duro. Tem a mão boa, tem o chute bom, tem poder de nocaute, tem um chãozinho descente, não é o melhor no chão, mas sabe se virar. O cara é bom, mas tô ai para o que der e vier. Não tem essa não, eu vou cair pra porrada. Tô preparado para lutar em pé, para lutar no chão, se a gente for para o chão, vou engolir ele, ixi, é sem chance. Em pé eu vou manter a distância, porque sei que se jogar no inside (colado), será melhor para ele porque ele é mais curto. Se tiver que fazer chão, a gente faz. Comigo não tem essa não. Se ele colar demais vai sentir a minha joelhada. Rapaz, meu joelho tá afiado (risos). Tô treinando bem, tô cheio de armas.
Quais armas?
Tô com o cotovelo legal, afiado, tô dando um high kick (chute alto) que pega bem, minha mão tá boa. Ai, meu irmão, eu vou para nocautear ou para finalizar. Não vou parar na decisão dos juízes, não. Não quero ser apenas mais um que passou pelo UFC. Quero fazer um lutão. Uma única luta minha parou na decisão dos juízes e isso só aconteceu porque o juiz da luta não viu que finalizei o meu adversário. Mas toda a platéia viu.
Você promete vitória?
Prometo que vou dar o meu melhor. Vou tentar nocautear ou finalizar a luta o tempo inteiro.
Você já entra no evento focado no cinturão, ou um passo de cada vez?
Pensar em cinturão seria uma coisa maluca. Isso não existe. Essa primeira luta é ainda meu primeiro passo no UFC. O meu gol é, em dois anos, ser um top 5 do evento. Essa é minha meta, ser um top 5.
Quem são os melhores de sua categoria, pode se incluir se achar que deve?
Georges ST Pierre, Thiago Pitbull, Jonh Fitch e Karo Parysian.
O MMA está no seu sangue, seu pai era lutador. Qual papel da sua família na sua formação como atleta?
Meu pai sempre me incentivou a praticar artes marciais. Mas ele nunca me forçou a nada, tanto ele quanto minha mãe e meu irmão. Quando eu decidi que queria ser lutador, ele sentou comigo e disse: “filho, sei que essa vida não será fácil, mas se é isso que você quer eu te apóio”. E ele sempre me apoiou e me deu o suporte necessário. Sempre me ajudou.
Você já disse que o melhor lutador em pé que fez sparring contigo foi o Badr Hari. Você acha que ele entrar para o MMA hoje, ele se dará bem nesse esporte?
Se ele entrar num MMA hoje ele na amarela não, ele é ainda um menino no chão, mas é muito perigos em pé. Ninguém aguenta trocar com ele em pé, não tem como. Quando a gente treinou, ele me deu sete knock downs em três rounds. E ele tava sem proteção nenhuma, nem mesmo protetor bucal, enquanto eu estava todo protegido, até com canelera eu tava.
O que você mais aprendeu com Chuck Liddell no tempo que treinou com ele?
Aprendi que os lutadores que a gente vê na TV, não são isso tudo que a gente acha. A galera endeusa demais. O cara (Chuck) é esforçado, superou vários lutadores quando era campeão. Fiquei muito impressionado com a parte de alimentação dele, a disciplina que ele tem para se alimentar de forma saudável e treinar sempre. Agora, dá para fazer e acontecer (encarar) contra esses caras. Coisa nenhuma esse papo de que não dá. Tem que treinar muito e confiar no seu time, no seu jogo. E ai vai pra cima que dá sim.
Já que você pensa assim, se casarem logo uma luta sua contra o Georges ST Pierre (campeão da categoria) você topa?
Se quisessem marcar uma luta minha contra o GSP, eu luto na hora. Não escolho adversário e nem fujo de desafio. Lutaria, com certeza. Mas sei que isso vai demorar.
Você acha melhor enfrentar o GSP quando já tiver uma certa experiência no UFC ou quanto antes vier essa luta, melhor?
Não sei se seria melhor esperar ou já lutar. Teria que conversar com meu time, não ia decidir isso sozinho.
O que você acha do GSP?
O GSP é fenomenal, mas acho que um cara bom de jiu-jitsu ganha dele. O BJ Penn não venceu porque o GSP anulou o jogo dele. Mas um cara com muita variação, que saiba pegar costas, pegar braço, pegar pescoço, pegar o calcanhar, um cara assim ganha dele. Tem que pressionar e variar de finalização o tempo todo.
Como foi seu início de carreira, até você abandonar o judô e migrar para o MMA?
Antes de entrar para o MMA fui para BH e lutei judô no Minas Tênis. Depois fui para o Rio lutar no Vasco da Gama quando a equipe nacional tava lá e fiquei dois anos. Depois voltei para o Minas. Ai, decidi que ia desistir do judô, ia mesmo para o MMA e voltei para o Rio. Agora, já treino MMA há uns cinco anos e há uns dois anos e meio estou nos Estados Unidos.
Quem são seus ídolos no MMA?
Minotauro (Rodrigo Nogueira) e meu pai, só.